São 20:40 e eu cheguei em casa há poucos minutos. Estou sentadinha na minha varanda ouvindo o pai da Bru (minha amiga que mora comigo) consertando nosso fogão vergonhoso.
Eu ia fazer um post apresentando os personagens sobre os quais vocês vão ouvir falar com freqüência aqui. Mas bateu uma preguiça só em pensar. Fica pra próxima! Vou contar uma coisa, que pensando agora é muito engraçada mas na hora me fez ter ódio no coração, que aconteceu anteontem.
Era um dia frio, chuvoso e bastante depressivo para mim (de verdade). Eu saí mega tarde do trabalho só pensando em chegar ao meu lar. Quando entrei no ônibus lembrei que eu tinha que passar no banco para sacar dinheiro e depois ir a outro banco depositar o aluguel. Por vários minutos eu tentei fingir que não havia lembrado disso mas minha boa índole falou mais alto. O Banco do Brasil (que é meu banco) não é longe daqui mas também não é super perto. Eu saltei do ônibus puta da vida e fui completar minha tarefa. Saquei uma grana e vim andando até o outro banco, morrendo de medo de ser assaltada e me foder. Na hora de completar o depósito recebo a seguinte mensagem: Número de conta inválido. “Caceta de agulha” foi tudo o que passou na minha cabeça. Minha vontade era de matar o infeliz que me fez ir ao banco, num dia de merda, a troco de NADA. Ok. Recolhi-me a minha insignificância e vim para casa debaixo de uma chuva torrencial. Quando dobrei a esquina descobri, da pior forma, que existe uma igreja de alguma religião não identificada em um prédio da minha rua (inclusive os ouço berrando nesse momento). Prevendo o azar que sempre me acompanha, abaixei a cabeça e tentei passar despercebida, em vão.
- Oi moça, você quer aceitar Jesus hoje?
- Não, obrigada (respondi como quem nega um panfleto).
- O fim se aproxima, aceite Jesus. Aleluia!
Minha única reação foi sorrir. Não por simpatia, mas sim pelo rancor que me consumia naquele momento. Poucas coisas me irritam mais que religiosos escandalosos tentando me recrutar para suas respectivas seitas. Segui serenamente para o supermercado que tem aqui na porta para comprar comida, uma vez que a Bru já tinha me mandado torpedo avisando da fome de 1000 mendigos que ela sentia (observem como eu posso ser legal. Na hora de pagar a caixa me pergunta se eu já tinha feito o cadastro para acumular pontos. Eu disse que não e recebi de volta um olhar de represália. Que coisa não? Mas como ela é muito legal resolvi somente sorrir, dessa vez por mera simpatia. Saindo do mercado tive a brilhante idéia de comprar uma coxinha no Fornalha (que inclusive é a melhor da galáxia). Óbvio que eu não ia passar ilesa por lá.
-Você gosta de Evanescence?
- Oi?
- É, eu sempre te vejo passando e acho que você gosta de Evanescence.
- Não, eu não gosto.
- Mas é rock pesado, você não gosta?
- Eu gosto de rock pesado mas não de Evanescence.
- Ah, você gosta daquelas coisas de caixão né? Você é doidona. Seu cabelo é colorido!
- É.
Nessa hora o atendente da lanchonete já estava quase chorando de rir da situação. Eu não sei se eu fiquei mais impressionada do maluco que mora na rua conhecer Evanescence ou se foi pela minha idiotice de dar corda pra ele. Enfim, peguei minha cochinha e vim para casa certa de que nada de mal me aconteceria novamente, afinal, a porta do Fornalha é colada com a da minha casa.
De fato, eu cheguei meio inteira em casa. Tomei um banho super quente, acendi um cigarro e fui ver Jornal Nacional. Me senti uma dona de casa esperando o marido chegar. Preciso fazer isso mais vezes.
Agora cansei de escrever. Vou tomar banho, fumar, ver BBB e domir. See ya!